sexta-feira, 9 de outubro de 2015

PRÁTICAS EM DIREÇÃO/RELATOS



MORFEU

O trabalho performativo que fizemos dentro da Universidade vila velha do dia 12/08/2015. Causou alguns impactos e estranhamentos na visão de muitas pessoas que passaram por ali naquele momento.
Foi a primeira intervenção com base em performance que fiz dentro da universidade. A ideia foi de algo que estava relacionado ao sono, cotidianidade que não se ausenta na sociedade, então foi sugestivo a fazer uma performance que trabalhou o corpo, o autoestima. Com foco em intervir os pensamentos das pessoas sobre o que elas viam, e deixando a sua imaginação associar aquilo com a verdadeira vertente da intenção, ou não.
Houve muitas provocações no que pude notar, muitas queixas e olhares agressivos. Algumas pessoas não conseguiram entender o que se tratava. A murmuração foi intensa de pessoas se perguntando o que era aquilo. Tratar um trabalho performático com base em intervir com pensamento em algo que remete uma transmissão de uma vivencia do cotidiano, muito me surpreendeu.
Surpreender na questão chegar a certo ponto de não parar pra entender, sobre algo tão claro que estava àquela patente mostrado no particípio da turma de artes cênicas da universidade de vila velha. Mas são hipóteses que ficam soltas como duvidas e certezas.
O sono, o que venha dizer essa palavra, talvez algo que remeta tranqüilidade, mas em alguns casos são angustias, pesadelos, insônias.
O trabalho foi de pessoas estarem com colchões espalhados pelo corredor da universidade mostrando a cotidianidade de grande maioria da sociedade sobre o que se passa no momento do sono, antes ou após. Foram ações de fato realistas que outras pessoas que olhavam poderiam até mesmo se identificar naquele momento.Cada pessoa interpreta a intervenção como uma problemática diferente, ai que se levanta a critica de ser uma problematizarão em que a definição do resultado é aquilo que transparece na mente de cada um.
A intervenção e a arte são associadas à psicologia, pois trabalha um entendimento. Outrora se relaciona com sociologia, a política que remete algo do cotidiano da sociedade, ou um paradigma sem sentido, que faz a sociedade refletir sobre oque pode ser aquela intervenção.
Appiah(1995) destaca que o conceito de jogo de identidade desafia-nos na medida em que nossas identidades deixam de ser unicamente entendidas através do “quem nós somos” e do “quem nós não somos”.
Esse conceito que Appiah destaca caracteriza a particularidade das circunstâncias ditas ao que se dirige a identidade do trabalho “performance” em que nele existem as perguntas de quem nós somos quando está passando por esse trabalho intensificado ao performático, se realmente somos nós, ou quem nós não somos.
A profa. Ma. Lara couto levantou em sala de aula duas questões que abordaram esse ‘quem”. Pois em alguns casos a performance sai do sentido em algo a transmitir, e algo a interpretar.
“Toda identidade humana é construída, é histórica; todos compartilharam nossa cota de pressuposições falsas, de erros e preconceitos que chamamos no dia-a-dia de “mito”, na religião de “heresia” e na ciência de “magia.” Histórias inventadas, biologias inventadas, afinidades culturais inventadas que se encontram enredadas em toda identidade. Cada uma delas é uma espécie de papel que necessita ser representado e estruturado por convenções narrativas às quais o mundo quase nunca se cansa de aderir... Nós necessitaríamos revelar que essas estórias de raça e nacionalidade são lendas; que são lendas, na melhor das hipóteses, inúteis ou – na pior – perigosas: então que um outros seis conjunto de histórias nos auxilie a construir nossas identidades, e que através dessas novas histórias nós possamos realizar relacionamentos socialmente mais produtivos.” (APPIAH, 1995, p. 174)

A performance está ligada a essa identidade de transmissão, pois identifico em alguns casos como algo que se levanta e que cria varias vertentes, com inúmeras possibilidades de se criar, fazer e imaginar.
COHEN. Renato (2002) diz que a “performance” é um conjunto de sketches improvisações que é apresentado eventualmente e em locais alternativos, ele fala que na verdade é um aumento de preparação em detrimento do improviso e da espontaneidade.
Espontaneidade que gera todo o acontecimento, o simples fato de fazer Algo que não seria uma representação com fala, que seria algo até mesmo que houvesse uma comunicação com o publico que passa e assiste. A performance é esse trabalho corporal em que você se utiliza, seu corpo sua mente pra abrir a cabeça da sociedade e deixar ela livre pra se pensar, ou aquele performático político em que tem-se uma idealização. Um exemplo que caracteriza uma performance é seria o contrario de uma fotografia, mas se fosse alguém fotografando alguma coisa, como partes do corpo, ou varias pessoas se fotografando ai já poderia caracterizar como uma performance.
COHEN. Renato(2002) diz que a arte de intervenção, modificadora, que visa causar uma transformação no receptor. A “performance” não é, na sua essência, uma arte de fruição nem arte que se propunha a ser estética, mas que tem sido cada vez mais bem elaborada para conseguir aumentar a significação da mensagem. Pra causar estranhamento, deixar com que a sociedade se propunha a pensar.
O preconceito é um sinal que sempre haverá em uma intervenção urbana, com um trabalho performático, pois por mais nítida que a mensagem esteja pra pessoa, ela vai olhar com um estranhamento, foi o que senti ao fazer a performance de “Morfeu”.
Identifique uma proposta que a visualidade estética aborda uma vivencia com o cotidiano da sociedade em que talvez não venha ser como uma aprendizagem, ou sim, mas também mostrar a realidade de vivencias possível.





SANSÃO

A ideia surgiu através de várias conversas em sala de aula com temas que nos alunos íamos debatendo sobre ideias de performance que poderíamos fazer ou não, e entrava a discussão sobre a poética que era causada dentro do estranhamento das pessoas que iriam estar presenciando aquele ato performativo.
Com base em uma performance do termo “nom sense” algo sem sentido, contrassenso, o non sense está muito ligado ao absurdo, e ao dadaísmo e o surrealismo.

(...) dadaísmo, uma nova realidade toma posse de seus direitos. A vida aparece uma simultânea confusão de barulhos, de cores, de ritmos espirituais que são imediatamente retratados na arte dadaísta pelos gritos e pelas febres sensacionais da sua audaz psique quotidiana e em toda a sua brutal realidade. Eis a encruzilhada bem definida que distingue o dadaísmo de todas as outras tendências da arte (...). (MICHELI, 1991, p. 41).

A citação acima esclarece a respeito de como surgiu o non sense, que é uma palavra em inglês, com a tradução de contrário.
Através de várias concordâncias e discordâncias, o aluno Anderson decidiu e optou pela ideia de fazer uma performance que remetia algo sobre cabelo, em cortar o cabelo.A ideia foi acolhida pela turma e combinamos em fazer na semana seguinte na praça de coqueiral de Itaparica.
A performance começou com o Anderson sentado em uma cadeira usando um pano sobre o corpo e uma faixa muito grande escrita “corte meu cabelo”. Lanço meu olhar crítico sobre a performance, não sei, talvez eu poderia estar pensando de forma diferente, e não estar coerente com a ideia da performance, mas não achei interessante ter colocado uma placa indicando aquele ato ser uma performance, por mais que muitas pessoas não sabem o que é uma performance, mas fica aquela linha de dúvidas em quem está assistindo. Se perguntando o que é? pois quando se tem algo que entrega o que é, no meu ponto de vista já perde um pouco da ideia do público investigar, não se perde cem por cento, pois ainda assim o público se pergunta o porquê daquela pessoa (performer) estar fazendo aquele ato em um ambiente público. Mas no contexto a performance fluiu bem e as pessoas se perguntavam, sobre o que era aquilo. Estava visível em suas faces de expressão.
Um fato inusitado que aconteceu lá que fiquei rindo depois, foi a forma de como a performance passa de mensagem para as pessoas que estão assistindo, é algo de se interpretar mesmo. Uma senhora achou que era um protesto contra a igreja, algo que remetia sobre evangélicos, e outras que fosse um gay, pelo fato de Anderson estar portando uma calça saruel, parecida com uma saia.
Por esse ponto podemos perceber que a performance tem várias linguagens, e que um objeto, por mais pequeno que seja, ele consegue mudar o sentido da performance, ocasionando outra linguagem para a performance ou não colocado como “hipótese”.

“[...] no futuro, a materialização concreta dos valores pictóricos suplantará a arte. Então, já não precisaremos de quadros, pois viveremos no meio da arte realizada”. [...] (MONDRIAN apud CHIPP, p. 318).

Nesta citação o autor fala sobre o artista como obra de arte, pois a modernidade vem com modificações, e em uma dessas entranhas a performance veio surgindo como um novo conceito de arte. Podemos dizer que a performance é uma “arte nova”, porque o seu reconhecimento como linguagem artística é bastante recente, já que os primeiros trabalhos reconhecidos, no cenário mundial, como performance arte, surgiram em meados dos anos de 1960.







MEDUSA

A performance de medusa foi criada dentro da sala de aula, em um de nossos debates na sala. Que por ideia de um de nossos colegas de fazer uma performance em que todos nos iríamos para um sinal de transito e no momento em que o sinal fechava, teríamos que pular sobre a faixa atravessando de uma lado para outro dentro de um saco. Foi engraçado que nesses momentos, passa uma vaga lembrança de quando nos éramos crianças, pelo menos comigo, lembrar de quando brincávamos com brincadeiras que não esta baseada nas infâncias de hoje. Outra coisa que pontuo é o fato de ser algo que gera diversos tipos de poética, e uma delas é a de causar um estranhamento e ao mesmo tempo uma lembrança pras pessoas que assistem. Olhando com outros olhos, olho de quem assiste, na hora até achamos que é palhaçada, brincadeira, mas que no fundo desse momento bate uma lembrança boa de quando éramos crianças e brincávamos como eles (nós) que estávamos ali jogando de corrida do saco.
Gera um desdobramento, uma poética grandiosa, pois o que mais conta na performance é  a opinião do publico, do estranhamento, o que as pessoas vão pensar ou o que passa na cabeça das pessoas.

[...] o que deve ser resgatado quando se pensa em teatro é o ato performático, ou seja, o exercício de viver o corpo numa situação de liberdade para a criação. Nos jogos dramáticos infantis, por exemplo, a criança brinca, joga com o corpo, age por motivação intrínseca. A matéria do teatro é a imagem, a voz, o corpo, o espaço e o tempo. A criança precisa ter contato com tudo isso. [...] O teatro é uma dramaturgia de sons e imagens, de tempo e espaço, de ações poéticas enfim (Garrocho, 2008, p.2).

Com dialogo com a citação prescrita acima, identifiquei a performance de medusa como um ato de liberdade, poder se libertar com algo que te trás uma lembrança da infância, com certeza é algo fantástico que carregamos como uma herança vivida. E o que o autor cita é que a criança (infância) é movida por algo “intrínseco”.
Em alguns momentos que estávamos performando, muitas pessoas que paravam os carros no sinal, ficavam olhando, e outras não paravam de olhar dentro dos ônibus, não sei, mas creio que veio memórias na mente dessas pessoas, com lembranças da infância. Havia outras pessoas que criticavam e diziam: “que bando de marmanjo, vai arrumar uma enxada”. Mas pra muitos não foi essa a mensagem que foi passada. A performance tem varias interpretações na cabeça das pessoas que assistem aquele ato, poderia se dizer que é um ato de protesto, protestando as crianças que são escravizadas, ou poderia ser de crianças que sofrem abusos, não sei ao certo, pois são hipóteses de vertentes que tendem a ser formada através de vários pensamentos quando se juntam para olhar e ficar se perguntando.
performance foi tomando outras proporções, quando não só ficávamos pulando saco, e sim fazendo outras brincadeiras de criança, como brincar de estatua, e a de morto vivo. Gerou uma poética bonita e ao mesmo tempo hipóteses do que poderia ser aquela performance, se algo non sense, ou política. Na minha visão crítica, entenderia como um protesto de enfatizar a infância como ponto positivo na partida da performance e que se desdobra a partir dos atos em que são gerados pela espontaneidade.

A espontaneidade não é um estado permanente, é um estado fluente, com altos e baixos, por isso mesmo é um estado. A espontaneidade é indispensável ao ato criador e não surge automaticamente, ela não é regida pela vontade consciente e não se motiva apenas por intenções internas, é dependente de uma correlação com outro ser criador (MORENO, 1975).

O autor cita o fato da espontaneidade acima, e basicamente o que foi usada na performance foi a ideia de criar, pois a performance foi fluindo de forma em que não ficou apenas com a de “corrida de saco” no sinal. Pois teve vontade de todos de fluir.





TIRÉSIAS

A performance Tirésias aconteceu junto com a turma de fotografia no estúdio de TV. Não sei bem ao certo como surgiu a ideia da performance e como foi o debate sobre a performance. Pois faltei na aula anterior em que estavam decidindo sobre o que fazer.
A performance aconteceu no estúdio de TV da universidade, e o tema foi a abordagem de algo que remeteria ao escuro, cegueira, e não poder enxergar. Causou uma poética linda esse tema, e politicamente falando, causou impressões pras pessoas que ali estavam fazendo.
Foi dita mente um happening, que é quando não existe publico, e todos têm a mesma interação, e o happening é mais cauteloso no sentido de se fazer, pois tem que ser pensado de forma coletiva.
A idéia de apagar as luzes e ficar tudo escuro. Foi muito legal e de uma criatividade bem interessante. Politicamente se tratando de uma com o tema que tem uma idéia de cegueira, comecei achando que seria algo bem politicamente pensado, e de forma de um tipo de protesto, em que a cegueira seria a forma que as pessoas estão se comportando, nas atualidades, em que não enxergam o que vem acontecendo, e por outro lado tem a questão do sensorial, que é algo que nos faz ter uma sensibilidade de sentir as coisas, e os momentos.
Uma das coisas que não ajudou muito foi o fato da sala ter alguns focos de luz sobre a porta e janelas, que clareava um pouco. Talvez pudesse ser um pouco mais planejado, e que todos deveriam levar algum tecido que vendassem os olhos para que assim não pudessem enxergar mais as coisas que tinham ali dentro. Outra coisa que pontuo é o fato de ser tão engraçado e ao mesmo tempo nos deixa a pensar sobre como é o nosso corpo e o nosso organismo. Dentro da sala escura, no momento em que entramos com tudo escuro, nossa visão é fechada, é tudo muito escuro, bate uma sensação de medo, medo de esbarrar em alguma coisa e se machucar, pânico de algo que parece te sufocar, mas com o passar dos minutos, a nossa vista vai se acostumando com o ambiente e começamos a enxergar, não da mesma forma que enxergamos com tudo claro, mas começamos a ter a percepção de olhar e ver o volume de um objeto e quando se passa mais tempo, é quase visível conseguir enxergar o outro. É um lance de se acostumar.

[...] cada performance é diferente de qualquer outra. Primeiras determinadas porções do comportamento podem ser recombinadas em um número sem fim de variações. Segundo, nenhum evento consegue copiar exatamente outro evento. Não apenas o próprio comportamento – nuances do humor, tom de voz, linguagem corporal, e daí por diante, mas também a ocasião específica e o contexto fazem com que cada caso seja único. E quanto às cópias ou clones reproduzidas de maneira mecânica, digital ou biológica? Pode ser que um filme ou uma peça de arte performática digitalizada sejam as mesmas em cada exibição. Porém, o contexto de cada recepção faz com que cada ocasião seja diferente. Mesmo que cada “coisa” seja exatamente a mesma, cada evento em que a “coisa” participa é diferente. A raridade de um evento não depende apenas de sua materialidade, mas também de sua interatividade – e a interatividade está sempre em fluxo. Se isso é verdade com relação ao cinema e às mídias digitais, deve ser ainda muito mais para performances ao vivo, onde tanto a produção quanto a recepção variam de caso para caso. [...] (SCHECHNER, Richard. 2006. “O que é performance?”)

De acordo com o autor em que cito, a performance ou happening cada uma vai ser diferente de outra, entendo que poderia até mesmo ser a mesma performance, ou happening, mas dependendo do publico irá causar uma poética diferente, criando vertentes diferentes. A não ser aquela performance em forma de política e protesto que tem a mesma ideia sempre. Um exemplo que cito é a performance que fizemos de “cegos’ pelo SESC glória, em que o tema era politicamente forte. E a relação do texto com o happening que fizemos na universidade com nome de Tirésias aborda o tema de “Interatividade” em estar sempre em fluxo, pois tem uma miscigenação de idéias e formas de pensar, e da percepção de pessoas para pessoas.
Um ponto interessante que achei na atividade foi o fato de estarmos presos na sala escura, e com vários objetos espalhados pelo espaço, pelo chão, como se fossem obstáculos, tinha sofá, cadeiras, panos espalhados pelo chão, barbante molhado bolinhas de papel espalhados pelo chão e o que mais me deixou com agonia, foi em ter pisado em pipocas, no momento em que a gente pisa em algo que não sabemos o que é e com a luz apagada não podendo enxergar, nos caus mais apreensão. Daí trabalha a questão do sensorial.