MORFEU
O trabalho
performativo que fizemos dentro da Universidade vila velha do dia 12/08/2015.
Causou alguns impactos e estranhamentos na visão de muitas pessoas que passaram
por ali naquele momento.
Foi a primeira
intervenção com base em performance que fiz dentro da universidade. A ideia foi
de algo que estava relacionado ao sono, cotidianidade que não se ausenta na
sociedade, então foi sugestivo a fazer uma performance que trabalhou o corpo, o
autoestima. Com foco em intervir os pensamentos das pessoas sobre o que elas
viam, e deixando a sua imaginação associar aquilo com a verdadeira vertente da
intenção, ou não.
Houve muitas
provocações no que pude notar, muitas queixas e olhares agressivos. Algumas
pessoas não conseguiram entender o que se tratava. A murmuração foi intensa de
pessoas se perguntando o que era aquilo. Tratar um trabalho performático com
base em intervir com pensamento em algo que remete uma transmissão de uma
vivencia do cotidiano, muito me surpreendeu.
Surpreender na
questão chegar a certo ponto de não parar pra entender, sobre algo tão claro
que estava àquela patente mostrado no particípio da turma de artes cênicas da
universidade de vila velha. Mas são hipóteses que ficam soltas como duvidas e
certezas.
O sono, o que venha
dizer essa palavra, talvez algo que remeta tranqüilidade, mas em alguns casos
são angustias, pesadelos, insônias.
O trabalho foi de
pessoas estarem com colchões espalhados pelo corredor da universidade mostrando
a cotidianidade de grande maioria da sociedade sobre o que se passa no momento
do sono, antes ou após. Foram ações de fato realistas que outras pessoas que
olhavam poderiam até mesmo se identificar naquele momento.Cada pessoa
interpreta a intervenção como uma problemática diferente, ai que se levanta a
critica de ser uma problematizarão em que a definição do resultado é aquilo que
transparece na mente de cada um.
A intervenção e a
arte são associadas à psicologia, pois trabalha um entendimento. Outrora se
relaciona com sociologia, a política que remete algo do cotidiano da sociedade,
ou um paradigma sem sentido, que faz a sociedade refletir sobre oque pode ser
aquela intervenção.
Appiah(1995)
destaca
que o conceito de jogo de identidade desafia-nos na medida em que nossas
identidades deixam de ser unicamente entendidas através do “quem nós somos” e
do “quem nós não somos”.
Esse conceito que
Appiah destaca caracteriza a particularidade das circunstâncias ditas ao que se
dirige a identidade do trabalho “performance” em que nele existem as perguntas
de quem nós somos quando está passando por esse trabalho intensificado ao
performático, se realmente somos nós, ou quem nós não somos.
A profa. Ma. Lara
couto levantou em sala de aula duas questões que abordaram esse ‘quem”. Pois em
alguns casos a performance sai do sentido em algo a transmitir, e algo a
interpretar.
“Toda identidade
humana é construída, é histórica; todos compartilharam nossa cota de
pressuposições falsas, de erros e preconceitos que chamamos no dia-a-dia de
“mito”, na religião de “heresia” e na ciência de “magia.” Histórias inventadas,
biologias inventadas, afinidades culturais inventadas que se encontram
enredadas em toda identidade. Cada uma delas é uma espécie de papel que
necessita ser representado e estruturado por convenções narrativas às quais o
mundo quase nunca se cansa de aderir... Nós necessitaríamos revelar que essas
estórias de raça e nacionalidade são lendas; que são lendas, na melhor das
hipóteses, inúteis ou – na pior – perigosas: então que um outros seis conjunto
de histórias nos auxilie a construir nossas identidades, e que através dessas
novas histórias nós possamos realizar relacionamentos socialmente mais
produtivos.” (APPIAH, 1995, p. 174)
A performance está
ligada a essa identidade de transmissão, pois identifico em alguns casos como
algo que se levanta e que cria varias vertentes, com inúmeras possibilidades de
se criar, fazer e imaginar.
COHEN.
Renato (2002) diz que a “performance” é um conjunto de
sketches improvisações que é apresentado eventualmente e em locais
alternativos, ele fala que na verdade é um aumento de preparação em detrimento
do improviso e da espontaneidade.
Espontaneidade que
gera todo o acontecimento, o simples fato de fazer Algo que não seria uma
representação com fala, que seria algo até mesmo que houvesse uma comunicação
com o publico que passa e assiste. A performance é esse trabalho corporal em
que você se utiliza, seu corpo sua mente pra abrir a cabeça da sociedade e deixar
ela livre pra se pensar, ou aquele performático político em que tem-se uma
idealização. Um exemplo que caracteriza uma performance é seria o contrario de
uma fotografia, mas se fosse alguém fotografando alguma coisa, como partes do
corpo, ou varias pessoas se fotografando ai já poderia caracterizar como uma
performance.
COHEN.
Renato(2002) diz que a arte de intervenção, modificadora,
que visa causar uma transformação no receptor. A “performance” não é, na sua
essência, uma arte de fruição nem arte que se propunha a ser estética, mas que
tem sido cada vez mais bem elaborada para conseguir aumentar a significação da
mensagem. Pra causar estranhamento, deixar com que a sociedade se propunha a
pensar.
O preconceito é um
sinal que sempre haverá em uma intervenção urbana, com um trabalho
performático, pois por mais nítida que a mensagem esteja pra pessoa, ela vai
olhar com um estranhamento, foi o que senti ao fazer a performance de “Morfeu”.
Identifique uma
proposta que a visualidade estética aborda uma vivencia com o cotidiano da
sociedade em que talvez não venha ser como uma aprendizagem, ou sim, mas também
mostrar a realidade de vivencias possível.
SANSÃO
A ideia surgiu
através de várias conversas em sala de aula com temas que nos alunos íamos
debatendo sobre ideias de performance que poderíamos fazer ou não, e entrava a
discussão sobre a poética que era causada dentro do estranhamento das pessoas
que iriam estar presenciando aquele ato performativo.
Com base em uma
performance do termo “nom sense” algo sem sentido, contrassenso, o non sense está
muito ligado ao absurdo, e ao dadaísmo e o surrealismo.
(...) dadaísmo, uma nova realidade
toma posse de seus direitos. A vida aparece uma simultânea confusão de
barulhos, de cores, de ritmos espirituais que são imediatamente retratados na
arte dadaísta pelos gritos e pelas febres sensacionais da sua audaz psique
quotidiana e em toda a sua brutal realidade. Eis a encruzilhada bem definida
que distingue o dadaísmo de todas as outras tendências da arte (...). (MICHELI,
1991, p. 41).
A citação acima esclarece a respeito de como surgiu o non
sense, que é uma palavra em inglês, com a tradução de contrário.
Através de várias
concordâncias e discordâncias, o aluno Anderson decidiu e optou pela ideia de
fazer uma performance que remetia algo sobre cabelo, em cortar o cabelo.A ideia
foi acolhida pela turma e combinamos em fazer na semana seguinte na praça de
coqueiral de Itaparica.
A performance começou
com o Anderson sentado em uma cadeira usando um pano sobre o corpo e uma faixa
muito grande escrita “corte meu cabelo”. Lanço meu olhar crítico sobre a
performance, não sei, talvez eu poderia estar pensando de forma diferente, e
não estar coerente com a ideia da performance, mas não achei interessante ter
colocado uma placa indicando aquele ato ser uma performance, por mais que
muitas pessoas não sabem o que é uma performance, mas fica aquela linha de
dúvidas em quem está assistindo. Se perguntando o que é? pois quando se tem
algo que entrega o que é, no meu ponto de vista já perde um pouco da ideia do
público investigar, não se perde cem por cento, pois ainda assim o público se
pergunta o porquê daquela pessoa (performer) estar fazendo aquele ato em um
ambiente público. Mas no contexto a performance fluiu bem e as pessoas se
perguntavam, sobre o que era aquilo. Estava visível em suas faces de expressão.
Um fato inusitado que
aconteceu lá que fiquei rindo depois, foi a forma de como a performance passa
de mensagem para as pessoas que estão assistindo, é algo de se interpretar
mesmo. Uma senhora achou que era um protesto contra a igreja, algo que remetia
sobre evangélicos, e outras que fosse um gay, pelo fato de Anderson estar
portando uma calça saruel, parecida com uma saia.
Por esse ponto
podemos perceber que a performance tem várias linguagens, e que um objeto, por
mais pequeno que seja, ele consegue mudar o sentido da performance, ocasionando
outra linguagem para a performance ou não colocado como “hipótese”.
“[...] no futuro, a materialização
concreta dos valores pictóricos suplantará a arte. Então, já não precisaremos
de quadros, pois viveremos no meio da arte realizada”. [...] (MONDRIAN apud
CHIPP, p. 318).
Nesta citação o autor
fala sobre o artista como obra de arte, pois a modernidade vem com
modificações, e em uma dessas entranhas a performance veio surgindo como um
novo conceito de arte. Podemos dizer que a performance é uma “arte nova”,
porque o seu reconhecimento como linguagem artística é bastante recente, já que
os primeiros trabalhos reconhecidos, no cenário mundial, como performance arte,
surgiram em meados dos anos de 1960.
MEDUSA
A performance de medusa
foi criada dentro da sala de aula, em um de nossos debates na sala. Que por ideia de um de nossos colegas de fazer uma performance em que todos nos iríamos para
um sinal de transito e no momento em que o sinal fechava, teríamos que pular
sobre a faixa atravessando de uma lado para outro dentro de um saco. Foi engraçado
que nesses momentos, passa uma vaga lembrança de quando nos éramos crianças,
pelo menos comigo, lembrar de quando brincávamos com brincadeiras que não esta
baseada nas infâncias de hoje. Outra coisa que pontuo é o fato de ser algo que
gera diversos tipos de poética, e uma delas é a de causar um estranhamento e ao
mesmo tempo uma lembrança pras pessoas que assistem. Olhando com outros olhos, olho
de quem assiste, na hora até achamos que é palhaçada, brincadeira, mas que no
fundo desse momento bate uma lembrança boa de quando éramos crianças e brincávamos
como eles (nós) que estávamos ali jogando de corrida do saco.
Gera um
desdobramento, uma poética grandiosa, pois o que mais conta na performance
é a opinião do publico, do
estranhamento, o que as pessoas vão pensar ou o que passa na cabeça das
pessoas.
[...] o que deve ser resgatado quando
se pensa em teatro é o ato performático, ou seja, o exercício de viver o corpo
numa situação de liberdade para a criação. Nos jogos dramáticos infantis, por
exemplo, a criança brinca, joga com o corpo, age por motivação intrínseca. A
matéria do teatro é a imagem, a voz, o corpo, o espaço e o tempo. A criança
precisa ter contato com tudo isso. [...] O teatro é uma dramaturgia de sons e
imagens, de tempo e espaço, de ações poéticas enfim (Garrocho, 2008, p.2).
Com dialogo com a citação prescrita
acima, identifiquei a performance de medusa como um ato de liberdade, poder se
libertar com algo que te trás uma lembrança da infância, com certeza é algo fantástico
que carregamos como uma herança vivida. E o que o autor cita é que a criança (infância)
é movida por algo “intrínseco”.
Em alguns momentos que estávamos performando,
muitas pessoas que paravam os carros no sinal, ficavam olhando, e outras não paravam
de olhar dentro dos ônibus, não sei, mas creio que veio memórias na mente
dessas pessoas, com lembranças da infância. Havia outras pessoas que criticavam
e diziam: “que bando de marmanjo, vai arrumar uma enxada”. Mas pra muitos não
foi essa a mensagem que foi passada. A performance tem varias interpretações na
cabeça das pessoas que assistem aquele ato, poderia se dizer que é um ato de
protesto, protestando as crianças que são escravizadas, ou poderia ser de
crianças que sofrem abusos, não sei ao certo, pois são hipóteses de vertentes
que tendem a ser formada através de vários pensamentos quando se juntam para
olhar e ficar se perguntando.
A performance foi tomando outras proporções,
quando não só ficávamos pulando saco, e sim fazendo outras brincadeiras de criança,
como brincar de estatua, e a de morto vivo. Gerou uma poética bonita e ao mesmo
tempo hipóteses do que poderia ser aquela performance, se algo non sense, ou política.
Na minha visão crítica, entenderia como um protesto de enfatizar a infância como
ponto positivo na partida da performance e que se desdobra a partir dos atos em
que são gerados pela espontaneidade.
A espontaneidade não é um estado
permanente, é um estado fluente, com altos e baixos, por isso mesmo é um
estado. A espontaneidade é indispensável ao ato criador e não surge
automaticamente, ela não é regida pela vontade consciente e não se motiva
apenas por intenções internas, é dependente de uma correlação com outro ser
criador (MORENO, 1975).
O autor cita o fato da espontaneidade
acima, e basicamente o que foi usada na performance foi a ideia de criar, pois
a performance foi fluindo de forma em que não ficou apenas com a de “corrida de saco” no sinal. Pois teve
vontade de todos de fluir.
TIRÉSIAS
A performance
Tirésias aconteceu junto com a turma de fotografia no estúdio de TV. Não sei
bem ao certo como surgiu a ideia da performance e como foi o debate sobre a
performance. Pois faltei na aula anterior em que estavam decidindo sobre o que
fazer.
A performance
aconteceu no estúdio de TV da universidade, e o tema foi a abordagem de algo
que remeteria ao escuro, cegueira, e não poder enxergar. Causou uma poética
linda esse tema, e politicamente falando, causou impressões pras pessoas que ali
estavam fazendo.
Foi dita mente um happening,
que é quando não existe publico, e todos têm a mesma interação, e o happening é
mais cauteloso no sentido de se fazer, pois tem que ser pensado de forma
coletiva.
A idéia de apagar as
luzes e ficar tudo escuro. Foi muito legal e de uma criatividade bem
interessante. Politicamente se tratando de uma com o tema que tem uma idéia de
cegueira, comecei achando que seria algo bem politicamente pensado, e de forma
de um tipo de protesto, em que a cegueira seria a forma que as pessoas estão se
comportando, nas atualidades, em que não enxergam o que vem acontecendo, e por
outro lado tem a questão do sensorial, que é algo que nos faz ter uma
sensibilidade de sentir as coisas, e os momentos.
Uma das coisas que não
ajudou muito foi o fato da sala ter alguns focos de luz sobre a porta e janelas,
que clareava um pouco. Talvez pudesse ser um pouco mais planejado, e que todos
deveriam levar algum tecido que vendassem os olhos para que assim não pudessem
enxergar mais as coisas que tinham ali dentro. Outra coisa que pontuo é o fato
de ser tão engraçado e ao mesmo tempo nos deixa a pensar sobre como é o nosso
corpo e o nosso organismo. Dentro da sala escura, no momento em que entramos
com tudo escuro, nossa visão é fechada, é tudo muito escuro, bate uma sensação
de medo, medo de esbarrar em alguma coisa e se machucar, pânico de algo que
parece te sufocar, mas com o passar dos minutos, a nossa vista vai se
acostumando com o ambiente e começamos a enxergar, não da mesma forma que
enxergamos com tudo claro, mas começamos a ter a percepção de olhar e ver o
volume de um objeto e quando se passa mais tempo, é quase visível conseguir
enxergar o outro. É um lance de se acostumar.
[...] cada performance é diferente de
qualquer outra. Primeiras determinadas porções do comportamento podem ser
recombinadas em um número sem fim de variações. Segundo, nenhum evento consegue
copiar exatamente outro evento. Não apenas o próprio comportamento – nuances do
humor, tom de voz, linguagem corporal, e daí por diante, mas também a ocasião
específica e o contexto fazem com que cada caso seja único. E quanto às cópias
ou clones reproduzidas de maneira mecânica, digital ou biológica? Pode ser que
um filme ou uma peça de arte performática digitalizada sejam as mesmas em cada
exibição. Porém, o contexto de cada recepção faz com que cada ocasião seja
diferente. Mesmo que cada “coisa” seja exatamente a mesma, cada evento em que a
“coisa” participa é diferente. A raridade de um evento não depende apenas de
sua materialidade, mas também de sua interatividade – e a interatividade está
sempre em fluxo. Se isso é verdade com relação ao cinema e às mídias digitais,
deve ser ainda muito mais para performances ao vivo, onde tanto a produção
quanto a recepção variam de caso para caso. [...] (SCHECHNER, Richard. 2006. “O que é performance?”)
De acordo com o autor em que cito, a
performance ou happening cada uma vai ser diferente de outra, entendo que
poderia até mesmo ser a mesma performance, ou happening, mas dependendo do
publico irá causar uma poética diferente, criando vertentes diferentes. A não
ser aquela performance em forma de política e protesto que tem a mesma ideia sempre.
Um exemplo que cito é a performance que fizemos de “cegos’ pelo SESC glória, em
que o tema era politicamente forte. E a relação do texto com o happening que
fizemos na universidade com nome de Tirésias aborda o tema de “Interatividade” em estar sempre em
fluxo, pois tem uma miscigenação de idéias e formas de pensar, e da percepção de
pessoas para pessoas.
Um ponto interessante que achei na
atividade foi o fato de estarmos presos na sala escura, e com vários objetos
espalhados pelo espaço, pelo chão, como se fossem obstáculos, tinha sofá,
cadeiras, panos espalhados pelo chão, barbante molhado bolinhas de papel
espalhados pelo chão e o que mais me deixou com agonia, foi em ter pisado em pipocas,
no momento em que a gente pisa em algo que não sabemos o que é e com a luz
apagada não podendo enxergar, nos caus mais apreensão. Daí trabalha a questão
do sensorial.
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